Cobertura colaborativa- Impressões de Água vermelha
Textos de Luiz Gustavo Palma e Isis Maria, Fotos de Felipe Luis Corípio

É incrível como os óculos 3D mudam a maneira como enxergamos. Ontem, no salão em Água Vermelha, mesmo com as luzes apagadas, eu via em azul e vermelho as crianças se divertindo com “Monstro da Lagoa Negra”, filme americano de 1954, numa versão onde os personagens falavam como elas, em seu tom de voz e linguajar. Isso pois a dublagem do filme fora feita por crianças, iniciativa criativíssima, muito eficaz em sua ideia de aproximar a criançada do evento. Eu as via todas com seus óculos 3D assistindo o filme, ansiosas por presenciar esse efeito tão falado, somente possível no cinema contemporâneo. A sessão 3D do Festival Contato conseguiu aproximar o pessoal da Água Vermelha de suas propostas transmidiáticas, misturando apresentações teatrais/circenses, com sua projeção simultânea permeando as projeções dos filmes e na banda sonora a discotecagem radiofônica Independência ou Marte, agora com máscara de alienígena na luz amarela intermitente.

As portas abertas do salão permitiam que as pessoas saíssem e entrassem à vontade, propiciando uma relação diferente com as obras audiovisuais. O que ficou em evidência foi a mídia em si, não o enredo, mas a potencialidade expressiva das imagens, fossem elas em 3D ou não. Portanto, assim sendo, mesmo quando a criançada – que também não é de ferro – deu uma dispersada, o proposto já havia sido cumprido, e suas cabecinhas tocadas pela magia do cinema, agora em 3D.
Gustavo Palma

Nostalgia lúdico 3D interativo ou o dia que fui ao Cine São Roque
Só conhecia as sessões do Cine São Roque de ouvir falar. Não morando em São Carlos fica difícil né. Então, na sexta feira, 1° de outubro, numa das atividades que antecederam o Festival Contato, fui fazer minha estreia e em 3D com o Vaudeville do século XXI! Sempre imaginei como seria o contato e a proximidade com as crianças, o trabalho desenvolvido com elas e não só o produto, a exibição de filme pela exibição de filme. Embarquei num ônibus na UFSCar e dei início a minha viagem, que compreendia também a viagem até o distrito de Água Vermelha, a cerca de 15 Km da cidade.
Antes, à moda de Água Vermelha, e por necessidade, fui comer e descobri que ali milho é o prato especial – sopa, cozido, pamonha, curau – Água Vermelha kitchen sytle. E tudo delícia.
Por causa da chuva a exibição mudou da praça para um lugar fechado, onde o público, em sua maioria crianças, muito agitadas e ansiosas, corriam, conversavam, esperando começar. Luzes coloridas davam um caráter espacial e então, com os óculos em mãos, perto das 20h assistimos “Trabalhando por amendoins”, com Tico e Teco, um Walt Disney tradicional. Rolou uma nostalgia ver aquelas crianças, fiquei comparando as minhas reações com as delas, além do filme, personagens presentes na minha infância.
Então a nave chegou para apresentar a próxima atração: um filme da década de 50, que começou a ser exibido há dois anos e uma chuva não deixou terminar. Então, numa oficina de dublagem as crianças deram um novo final. “O monstro da lagoa negra” na verdade, só quer um amor e que o americano não venha “zoar o seu barraco” aqui!
A participação infantil é na piração: eles reagem a tudo, da apresentação dos personagens (tripulantes?) da nave, ao filme, às pessoas, às fotos, a tudo, eles não param. Destaque para o Michel, que acompanha as sessões, mobiliza o público e interage com as visitas com uma natureza e proximidade de anos.
Dando sequencia à noite, o clássico “Disque M para matar”, também em 3D, e aqui pessoalmente tenho que dizer que foi muito legal (por mais clichê e raso que pareça). Fechou com muito estilo a sexta que antedece o Festival Contato.
A expectativa para as próximas visitas da nave está grande para essa forasteira, que até pensou em pedir uma carona.
Isis Maria

